23 setembro, 2009

O trabalho

Cada vez me pergunto mais (e mais), qual é o papel de que se deve revestir a nossa vida profissional, e das suas interferências na vida familiar. Acho que trabalhamos horas de mais. Passamos demasiado tempo longe dos nossos filhos. Entregamo-los ao cuidado de terceiros que deverão ajudar na sua educação. Todas as manhãs o Pedro me pergunta se vou trabalhar. Pede-me que não vá. Todas as tardes o Pedro me pede para ir para a nossa casinha. Hoje, porque sinto que não passo o tempo que devia com o meu filho, me pergunto se um quotidiano em que tento dar o meu melhor no emprego, em casa, como mãe, e me sinto culpada por, eventualmente, não fazer o suficiente, vale a pena? Pergunto-me se ter filhos e depois não conseguir efectivamente CRIÁ-LOS, a não ser de noite e ao fim de semana é legítimo?

Bom, deixo as minhas lamentações de hoje, porque me sinto deprimida. Grávida de 32, quase 33 semanas e deprimida? Sim, é que hoje tenho de trabalhar até às 9 da noite. E comecei às 9 da manhã. Sei que há gente em situação pior, mas não sou o tipo de pessoa de ficar feliz com a infelicidade dos outros. Chega-me a minha.

P.S. Eu tenho resposta para a pergunta que fiz, o problema é que não gosto da resposta. Ando apenas a reflectir sobre a sociedade que temos, e os jovens que andamos a criar.

15 comentários:

Joana e Rodrigo disse...

Pois é Carla, não devia ser assim!E muito menos trabalhar 12 h!

Beijo

Sandra e Afonso disse...

Tens tanta razão no que dizes!...
Não devia ser assim como descreves, mas infelizmente é um facto!
Beijo e up, up, up!

Sandra

Mia disse...

Como eu te entendo...que não escapo de uns trabalhinhos, mesmo em licença!
Não me posso queixar, sou previligiada no que diz respeito ao tempo passado com eles.
Mas preocupa-me muito a educação que os "outros" lhes dão. Tenho que "postar" sobre isso.

beijocas

joana disse...

Amiga, para não me sentir infeliz, já me mentalizei que temos os filhos para os gozar ao final do dia e ao fim-de-semana. O que decidi foi que, salvo rarissimas excepções, não saio depois das 18h, o resto que se lixe!

E olha que uma grávida de 32 semanas não devia trabalhar 12 horas por dia! tens que cuidar de ti!

bj

Sofia disse...

Pois, estou como a mamã aqui de cima, por muito que o trabalho seja uma responsabilidade que temos que assumir, há prioridades e neste momento a prioridade és tu, o bebé que tens na barriga e o que está cá fora. Pena é que as pessoas que trabalham contigo não tenham sensibilidade para ver isso...
Quanto ao resto também me questiono, a única questão é termos mesmo que arranjar dinheiro para pagar as contas e a comida do mês. Concordo que as mães possam continuar a contribuir para a economia mas devia haver uma forma mais suave para o fazer, sem dúvida.

Beijinhos e cuida-te.

Barriguita disse...

se soubesses as vezes que penso nisso nestes últimos tempos... na vontade que tenho de mandar tudo às urtigas... ok, nunca trabalho depois das 17h30, ou 17h30, mas e os dias em que há reunião? isto já para não falar do trabalho que trago sempre para casa, todos os dias e ao fds, e que não posso deixar de trazer... e depois ver que no final, o nosso trabalho nem sempre é reconhecido.

mas estás grávida e tens de cuidar de ti. primeiro estás tu e, como me disse uma colega quando estava na mesma situação que tu, só es insubstituivel para o teu filho.

Cuida de ti!


bjs

Nany disse...

Subscrevo os comentários anteriores, trabalhar 12h seguidas não é bom, muito menos para uma grávida.
Quanto ao teu post, percebo. Mas para mim é assim, apesar de precisar de mais uns trocos, apesar de o meu horário de trabalho ser fixo (tb ninguém pagaria horas extraordinárias), já pensei e repensei mas por enquanto não vou procurar um 2º emprego.
Porquê? Porque prefiro ir apertando as coisas, não dar asas a muitas flores mas estar mais com ele. Se precisar claro que vou à luta, e mais tarde quem sabe.
Já me castigo porque só o vou buscar às 18h e depois é preparar jantar, banho, jantar, deixá-lo ver alguns bonecos enquanto arrumo a cozinha e horas de dormir. Não é vida, mas é a minha vida.
Concordo contigo, a infelicidade dos outros não é algo para nos fazer felizes ou para considerar a nossa "infelicidade" menos infeliz. A deles é a deles a nossa é a nossa.
Bjks e bom trabalho. Anima-te

Isabel disse...

Tens razão no que dizes...trabalhar é preciso...mas não é justo estar tanto tempo sem os nossos filhos...quando chego a casa canbsada...sinto que não tenho tempo para mais nada...é uma correria...e acabo por não dar a atenção que o Rodrigo necessita...
Trabalhar 12 horas é muito...eu trabalho até às 19...e tb trabalhava sábados...mas felizmente tanto que batalhei que consegui pelo menos ter os sábados...
Beijocas grandes e força...os teus pequenos precisam de uma mãe animada
http://olha_por_mim.blogs.sapo.pt

Tété £ Xavier © disse...

Tenho que concordar com o que dizes… infelizmente!

Espero que venham dias melhores e com mais tranquilidade, essencialmente no teu coração ;o)

Beijos
Tété & Xavier

)0( disse...

Talvez estejas a trabalhar horas a mais, grávida de 33 semanas, não?
Ânimo e Beijos

Bala disse...

Estou como tu!
Não me conformo com isto. Não posso conformar com o que é contra-natura.
É suposto nós termos tempo para os nossos filhos, é suposto sermos nós a criá-los até eles saírem "do ninho". E no entanto, nós só os criamos até à hora de entrar no trabalho, e depois de sairmos do mesmo.
E é por isso que quero ir para o campo. Onde mesmo que tendo de trabalhar, tenho mais tempo para eles, para mim, para nós....e onde tudo é muito mais calmo.

Bjinhos

Lisa_pt + Gil disse...

Já disseram tudo...
Sabemos exactamente a resposta pq trabalhamos horas e horas... na maior parte das vezes dou comigo a sonhar com o euromilhões para remediar a coisa... para poder ter mais dois filhos biológicos e adoptar mais uns quantos, mas ao que parece, vou continuar a sonhar... É dificil conformar-nos com a situação, mas a actual sociedade não nos dá alternativas viáveis (só mesmo o euromilhões!).
Acabo por me conformar que é assim mesmo e que trabalhamos para poder faze-los felizes e podermos dar-lhes de comer, que é o mais importante de tudo!
Beijokas

Mariah disse...

Já aqui disseram tudo e como se vê, ninguém passa pouco tempo com os filhos por opção. A mim preocupa-me e muito, faço das tripas coração para passar mais tempo com o João, mas quantas vezes não estou fisicamente com ele mas a minha cabeça está a pensar no que tenho para fazer e na pressão que exercem sobre mim? Não te deprimas querida tenta parar um pouco.
Um beijo
P.s não tenho comentado mas tenho-te acompanhado.

Ana disse...

Agora que o Duarte entrou para a escola, comecei a sentir muito esse dilema.
E dói, dói muito!
E as alternativas são demasiado drásticas..
Sucks..

Rita disse...

Um dos maiores dilemas dos papás de hoje! Sem dúvida nenhuma... aliás mais das mamãs, porque o sentimos muito mais profundamente que eles.
Como sabes não sou grande exemplo...
Sinto muitas vezes que poderia conseguir mais dinheiro... mas depois vejo que o tempo que iria "perder" para ela e para as coisas que gosto realmente de fazer (ilustrar para os miúdos) iria ficar demasiado reduzido e pergunto-me muitas vezes se o dinheiro é uma compensação, quando, com o pouco que conseguimos como família ao fim do mês vai chegando (e fazemos pra chegue) para estarmos bem e felizes.
São questões que apenas cada uma poderá colocar-se a si própria mediante toda a sua situação familiar. Mas continuo a acreditar que se não estivermos felizes com alguma coisa... é um sinal de que alguma coisa tem de mudar... por muito que seja dolorosa a mudança.
Um beijo grande de inspiração :)